Revisão TV Box Xiaomi 4K 32GB Mi TV Box 3ª Geração: O fim da falta de espaço no Android TV, mas com um controle que decepciona

Se você já usou uma TV box com sistema Android nos últimos anos, provavelmente conhece a frustração de tentar instalar um novo aplicativo e ser barrado por um aviso de armazenamento insuficiente. A grande maioria dos aparelhos no mercado estagnou nos 8 GB de memória interna, dos quais quase metade já é ocupada pelo próprio sistema operacional. É exatamente nesse cenário de escassez que a TV Box Xiaomi 4K 32GB Mi TV Box 3ª Geração brilha, oferecendo espaço de sobra para transformar qualquer televisão com entrada HDMI em uma central de entretenimento robusta.
Esta é uma recomendação sólida para usuários que valorizam a liberdade do ecossistema Google, gostam de manter dezenas de streamings instalados simultaneamente e fazem questão de altíssima qualidade de imagem. No entanto, ela não é a melhor escolha para consumidores extremamente exigentes com a ergonomia e a qualidade de construção dos acessórios diários, já que a Xiaomi economizou severamente no controle remoto.
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Prós
- Armazenamento de 32GB que elimina a necessidade de apagar apps constantemente
- Desempenho fluido na navegação e carregamento de conteúdo
- Excelente entrega de imagem e som com suporte a Dolby Vision e Dolby Atmos
- Permite a instalação facilitada de aplicativos fora da loja oficial (sideloading)
- Interface do Google TV traz ótimas recomendações na tela inicial
Contras
- Controle remoto de plástico simples e com botões ruidosos
- Faltam teclas básicas de mídia, como play/pause e mute, no controle
A experiência prática: o fim do malabarismo de aplicativos
O maior impacto no uso diário desta TV box da Xiaomi não está nos números do processador, mas sim nos seus 32 GB de armazenamento nativo. Na prática, isso significa que você pode instalar sua coleção inteira de serviços de streaming — Netflix, Prime Video, Disney+, Max, Globoplay, Apple TV+ —, adicionar aplicativos de música como Spotify, baixar navegadores web, instalar alguns jogos casuais e até emuladores, e ainda assim o sistema rodará com folga.
Em boxes tradicionais de 8 GB, o sistema começa a engasgar e a apresentar lentidão crônica assim que o armazenamento chega no limite. Com esta 3ª geração da Xiaomi, esse gargalo simplesmente desaparece. A navegação pelos menus do Google TV é ágil, a transição entre um aplicativo e outro ocorre sem solavancos e as grandes atualizações de sistema ou de apps são feitas em segundo plano sem que você precise abrir as configurações para limpar o cache.
No quesito audiovisual, o aparelho se comporta como um dispositivo de ponta. Ao conectá-lo a uma TV 4K compatível, a reprodução atinge 60 quadros por segundo com uma fluidez notável. O acionamento de formatos HDR avançados, especificamente o Dolby Vision e o HDR10+, ocorre de forma automática e correta, entregando cores vivas e detalhes precisos em cenas escuras. Para quem possui um bom home theater ou soundbar, o repasse de áudio Dolby Atmos e DTS:X garante aquela imersão espacial de cinema, comprovando que o aparelho tem força para decodificar formatos pesados sem gargalos.
O ponto fraco que você não pode ignorar
Apesar de a experiência na tela ser de alto nível, a interação física com o aparelho deixa a desejar. O controle remoto que acompanha a TV Box Xiaomi 4K 32GB Mi TV Box 3ª Geração destoa completamente da categoria e do preço do produto.
A primeira impressão tátil remete a um acessório de baixo custo. O plástico utilizado parece frágil, e o clique dos botões é excessivamente ruidoso — algo que pode incomodar bastante ao navegar pelos menus à noite, em um ambiente silencioso. Pior do que a construção é o layout escolhido pela marca: o controle omite botões que deveriam ser padrão na indústria, como um atalho rápido para silenciar a TV (mute) e teclas dedicadas de reprodução (play/pause). Para pausar um filme, você é obrigado a usar o botão central de navegação, o que exige passos extras dependendo do aplicativo que está sendo usado.
Muitos usuários acabam considerando a compra de um controle Bluetooth paralelo ou de terceiros para contornar esse problema, o que aumenta o custo final do setup. Comparado ao controle de um Amazon Fire TV Stick ou da Apple TV, o acessório da Xiaomi fica muito atrás em conforto e usabilidade.
Para quem vale a compra e para quem não vale
A Xiaomi Mi TV Box 3ª Geração é a compra certa para quem deseja a experiência definitiva do Android TV (agora sob a interface Google TV) sem dores de cabeça. Se você é o tipo de usuário que gosta de explorar o sistema, instalar aplicativos utilitários, usar reprodutores de mídia avançados como o Kodi ou Plex, e até mesmo instalar aplicativos via APK (sideloading) baixados por fora da Play Store, este aparelho oferece a potência e o espaço necessários. Tudo isso por um valor na faixa dos R$ 480 a R$ 500, o que a coloca como uma excelente ponte entre os sticks básicos e a caríssima Apple TV.
Por outro lado, não vale a compra para quem dá extrema importância à usabilidade do controle remoto e à ergonomia diária. Se o clique alto de botões ou a falta de teclas de atalho vai irritar você ou idosos na sua casa, faz mais sentido olhar para as opções da concorrência, como o Fire TV Stick 4K, que possui um controle excelente, mesmo que sacrifique o armazenamento interno. Também não faz sentido para quem vive inteiramente dentro do ecossistema de dispositivos da Apple; para esse público, a Apple TV 4K entregará uma integração nativa e uma fluidez geral superior, justificando o investimento mais alto.
Ficha técnica
- Sistema Operacional: Google TV
- Processador: Quad-Core A55 (até 2,5 GHz)
- GPU: ARM G310 V2
- Memória RAM: 2 GB
- Armazenamento interno: 32 GB ROM
- Resolução máxima: 4K (3840 × 2160) a 60 fps
- Suporte de Vídeo: Dolby Vision e HDR10+
- Suporte de Áudio: Dolby Atmos e DTS:X
- Conectividade Wireless: Wi-Fi dual-band 2,4/5 GHz, Bluetooth 5.2
- Portas: 1x HDMI 2.1, 1x USB 2.0, 1x Conector de energia
- Dimensões: 97 × 97 × 17 mm
- Peso: 91,2 g
Recursos extras e particularidades
Sideloading e Porta USB
O ecossistema aberto do Google TV, somado aos 32 GB de espaço e à porta USB 2.0 na traseira do aparelho, torna esta box um paraíso para modificações. É extremamente simples espetar um pendrive para assistir a filmes baixados no computador ou para instalar arquivos APK que não estão disponíveis oficialmente na Play Store brasileira. Contudo, cabe o aviso de segurança: o uso de apps de fontes desconhecidas exige cautela do usuário para não comprometer a estabilidade do sistema.
Conectividade Wi-Fi e Bluetooth
A documentação de marketing do produto costuma destacar o "Wi-Fi 6", porém as fichas técnicas operacionais confirmam o funcionamento nas bandas clássicas de 2,4 e 5 GHz (roteadores AC/AX). Para extrair a latência mais baixa e a estabilidade prometida pelo marketing, o usuário precisa ter um roteador plenamente compatível em casa. O Bluetooth 5.2, por sua vez, é uma adição excelente. Ele garante que fones de ouvido sem fio tenham atraso imperceptível de áudio, além de permitir parear facilmente joysticks ou controles remotos alternativos, resolvendo o problema do controle original.
Chromecast Integrado
Como é padrão nos aparelhos com selo do Google, o Chromecast vem embutido. Isso significa que você não precisa instalar o aplicativo de uma plataforma de nicho na TV se não quiser; basta abrir o vídeo no seu smartphone (Android ou iOS) e tocar no ícone de transmissão para espelhar o conteúdo na tela grande com resolução nativa, sem drenar a bateria do seu celular.