Revisão Fogão BAK 2 Bocas Elétrico: o mais barato do mercado só serve como quebra-galho emergencial

A situação é clássica: o gás acaba no meio do preparo do almoço, a revendedora demora a entregar e você precisa de uma solução urgente que não esvazie a carteira. É exatamente neste cenário de apuro que o Fogão BAK 2 Bocas Elétrico se torna uma tentação nas prateleiras virtuais. Custando uma fração do preço de modelos mais avançados, ele é a porta de entrada para os cooktops portáteis e cumpre a promessa mais básica de todas: gerar calor usando apenas uma tomada.
No entanto, o baixo custo cobra um preço alto na experiência prática. Se você procura um eletrodoméstico confiável para equipar uma cozinha de uso diário, para preparar refeições elaboradas ou para substituir definitivamente o sistema a gás da sua casa, passe longe deste modelo. Nossos testes e comparativos revelam que o aparelho apresenta problemas estruturais crônicos a médio prazo, além de um desempenho frustrante que vai testar a sua paciência. Trata-se de um equipamento projetado estritamente para o uso esporádico.
Aviso de transparência: Nossas avaliações são 100% independentes e imparciais. Se você comprar algum produto através dos nossos links, podemos receber uma comissão de afiliado, sem nenhum custo adicional para você.
Prós
- Preço de aquisição extremamente baixo, ideal para solucionar emergências sem gás
- Funciona com qualquer material de panela, dispensando a compra de modelos magnéticos
- Design leve e de baixo perfil, facilitando o armazenamento em gavetas ou armários
- Indicador luminoso frontal sinaliza de forma clara quando a resistência está ativa
Contras
- Botões de plástico derretem e perdem a função devido ao calor gerado pela própria carcaça
- Cortes de energia do termostato são longos demais e interrompem a fervura dos alimentos
- É um dos modelos mais lentos do mercado para aquecer água e finalizar cozimentos básicos
Desempenho no fogão: uma verdadeira prova de paciência
Quando você coloca uma panela com água para cozinhar no Fogão BAK, a primeira realidade que se impõe é a lentidão. Equipado com resistências elétricas expostas em formato espiral, ele demora consideravelmente para transferir o calor do metal para o fundo da panela. Durante o uso prático frente a concorrentes de mesa, ele registrou o tempo mais demorado para levar líquidos ao ponto de ebulição intensa. Fazer um simples pacote de macarrão exige planejamento antecipado.
Contudo, a velocidade não é o único obstáculo. O grande vilão da experiência culinária neste aparelho é o ciclo do termostato. Todo fogão elétrico possui um sensor que desliga a energia temporariamente para evitar que o equipamento sofra um colapso térmico. O defeito do BAK é que essa calibração é ineficiente. Quando a temperatura máxima é atingida, a resistência apaga e demora muito a religar. Na prática, a água da sua panela literalmente para de ferver no meio do processo.
Para contornar esse comportamento e conseguir manter uma fervura contínua — algo vital para cozinhar massas ou reduzir caldos —, o usuário é forçado a travar o aparelho no nível máximo de potência quase o tempo todo. Se você tentar cozinhar um arroz de forma suave nos níveis intermediários, os cortes constantes farão com que o grão absorva a água de maneira irregular, entregando uma textura empapada e pouco apetitosa.
O custo oculto do design: peças que não resistem ao próprio calor
O ponto mais preocupante deste modelo, e o principal motivo pelo qual desaconselhamos fortemente o seu uso contínuo, é a infraestrutura térmica. O fogareiro consome 2000W de potência e tenta dissipar todo o calor residual em uma carcaça de metal diminuta, com cerca de 5 centímetros de altura. O isolamento interno é inexistente e o corpo inteiro da estrutura fica perigosamente quente durante a operação.
Essa má gestão térmica ataca diretamente o painel frontal. Os botões giratórios de controle de temperatura são fabricados em um plástico comum que não resiste à irradiação. Com o uso prolongado — agravado pela necessidade de usar as bocas na potência máxima para driblar o termostato —, esses botões começam a derreter e deformar internamente. Aos poucos, a peça plástica perde o atrito com a haste de metal do potenciômetro. O resultado é que você gira o botão, mas o comando não responde. Em um equipamento que lida com altas temperaturas, perder a capacidade de reduzir o fogo ou desligar a boca com agilidade é um risco de segurança intolerável.
Acomodação de panelas e usabilidade no dia a dia
Medindo modestos 43 centímetros de largura, o BAK é inegavelmente fácil de transportar. Porém, essa ausência de área útil se transforma em um gargalo na hora do almoço. Tentar acomodar duas panelas médias simultaneamente é um jogo de encaixe. Os utensílios ficam espremidos e muitas vezes acabam empurrados para fora do centro das resistências. Como o contato físico direto é a única forma de transferir calor neste sistema, qualquer panela descentralizada cozinhará os alimentos de forma ainda mais lenta e desigual.
A manutenção também exige tolerância. Diferente dos cooktops de vidro plano, onde basta passar um pano úmido, limpar um fogareiro de resistência espiral é um aborrecimento. Respingos de óleo, leite ou caldos caem diretamente na bandeja de metal sob a resistência. É necessário esperar o equipamento esfriar por completo e tentar limpar os vãos por baixo da mola metálica, um esforço que raramente devolve o aspecto de novo ao produto.
Por outro lado, o modelo ganha pontos pela total ausência de frescura com panelas. Diferente dos fogões por indução, que exigem fundos magnéticos caros, o BAK aceita absolutamente qualquer material. Panelas de alumínio fino, ferro fundido, vidro, barro ou inox: se o material foi feito para ir ao fogo, ele funcionará em cima desta espiral.
Veredito: para quem faz sentido investir?
Apesar de todas as críticas estruturais, o contexto de compra define o valor do produto. Ele é a definição exata de uma solução de curtíssimo prazo.
Vale a pena se: Você utiliza botijão de gás, o seu secou em um domingo à noite, e você precisa desesperadamente de uma fonte de calor barata para fritar um ovo, esquentar uma sopa e sobreviver até o dia seguinte. Pelo custo irrisório, ele evita que você gaste uma fortuna em pedidos de delivery e pode voltar para o armário para a próxima emergência. Também quebra um galho em viagens rústicas de acampamento onde há infraestrutura elétrica.
Não vale a pena se: Você está montando uma cozinha sem gás e quer usá-lo rotineiramente. A lentidão extrema, a interrupção crônica de fervura e, principalmente, o derretimento iminente dos botões de controle tornarão a sua experiência diária um pesadelo. Para quem vai cozinhar com frequência, o barato sairá caro rapidamente. Invista suas economias em um modelo de chapa de ferro fundido com melhor acabamento ou salte diretamente para um cooktop portátil de indução básico.
Ficha técnica
- Tipo de aquecimento: Resistência elétrica aparente (espiral)
- Número de bocas: 2
- Potência total: 2000 W
- Voltagem: 220 V (também comercializado em anúncios separados de 110 V)
- Frequência: 60 Hz
- Níveis de temperatura: 5 níveis de ajuste manual
- Dimensões (AxLxP): 5 cm x 43 cm x 24 cm
- Proteção IP: IPX0 (sem proteção contra líquidos)
- Material: Carcaça metálica com botões em plástico simples
Recursos extras na prática
- Proteção contra superaquecimento (Termostato): Um sensor interrompe automaticamente o fornecimento de energia para a resistência caso o sistema ultrapasse um limite de temperatura. Apesar de evitar acidentes elétricos maiores, a regulagem engessada desta proteção no BAK é o que causa o corte excessivo de calor durante o cozimento, prejudicando o preparo de caldos e massas.
- Luz indicadora ON/OFF: Um alerta visual básico posicionado no painel frontal. Ela acende para confirmar que o aparelho está energizado e recebendo corrente da tomada, sendo um lembrete visual indispensável para que o usuário não encoste as mãos inadvertidamente no metal quente.
- Controle de níveis de temperatura independente: Permite escolher entre as posições de 1 a 5 para cada boca de forma autônoma. Dada a perda térmica do aparelho, os níveis iniciais servem estritamente para manter pratos mornos, delegando aos níveis máximos o trabalho real de refogar ou ferver.